Existem alguns motivos que nos levaram a tomar a decisão de adotar mecanismos de mercado para trazer benefícios sociais. O maior deles, na minha visão, é a possibilidade de gerar uma escala que não poderia ser alcançada em um modelo filantrópico ou sem fins lucrativos. O lucro, neste caso, serve ao propósito de alavancar o negócio para que ele possa atender e beneficiar a cada vez mais pessoas. Ele serve como uma ferramenta para realizar a visão, a missão e os propósitos dos negócios sociais.
E o lucro, como todo negócio tradicional, pode ter duas destinações principais, que de maneira alguma são excludentes:
- Pode ser reinvestido no próprio negócio, fortalecendo sua estrutura física, trazendo profissionais qualificados, garantindo a saúde do capital de giro, entre outras utilidades que vão variar dependendo da indústria e da fase de maturidade da empresa; e
- Pode ser retornado ao investidor, remunerando de forma justa o seu risco.
O tema de retorno ao investidor ainda causa discussões um pouco acaloradas, principalmente no setor social, especialmente depois que o Muhammad Yunus publicou seu conceito de empresas sociais, que não devem distribuir dividendos. Na minha visão, os dividendos devem ser distribuídos sim! Nada mais justo do que retornar capital para os investidores que colocaram dinheiro esperando ver o sucesso destas empresas. Isto serve não apenas para mostrar que negócios sociais são viáveis de um ponto de vista macroeconômico, como também serve para atrair mais investidores para este setor. Sem retorno, o setor continuaria a depender de filantropos, o que reduz drasticamente o volume de capital à disposição.
Tanto em uma perspectiva puramente da empresa quanto do setor como um todo, os mecanismos de mercado são necessários para trazer escala para o setor dos negócios sociais. Negar o lucro (ou a distribuição de dividendos) é manter o status quo e a divisão existente entre os que acreditam que o lucro é a solução e os que acreditam que o benefício social desapegado é a solução. Integrar o que estas duas facetas têm de melhor e aplicar no mundo, é admitir que a solução talvez esteja no meio do caminho. E este é o caminho que escolhemos.
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